Zoraide – mais que um coração de papel para aquecer os corações

(Ney Mourão)
Havia muitas luzes e brilhos em volta. Muita alegria. Aquela algazarra boa, como nos tempos em que até a palavra algazarra era mais conhecida e festejada. Havia muita gente feliz, muitos pratos sobre a mesa, muitos enfeites por toda a parte. Havia sons de vozes festejando e uma euforia beirando a plenitude. Por isso, nem todos puderam notar…
 

Havia um momento, em princípio, banal. Uma troca de presentes. Havia, é claro, uma proposta diferente: trocar carinhos, tempo de dedicação e compartilhamento. O que é mesmo que eu tenho e que gostaria que, a partir de hoje, estivesse com essa pessoa especial que o destino tramou e colocou em minha rota pela Terra e, ainda mais, nesse momento único, quis que eu o abraçasse, em meio a 23 outras almas? O que eu posso fazer, com minhas mãos, para que seus olhos se encham de luzes, como a árvore resplandecente, que ilumina a sala, nessa noite quase natalina? Assim, havia, também, ouvidos atentos, para escutar tantas explicações, memórias, atavismos, viagens, emoções. Por isso, nem todos puderam notar… 

Havia, dentro do momento maior, outros tantos momentos. O momento de saborear o gosto bom dos alimentos – todos preparados com o melhor dos temperos: atenção ao outro. Havia duas anfitriãs, preocupadas em “servir”, mal sabendo que o maior de todos os serviços era a simples existência delas ali, como almas angelicais, pensando em tudo para que todos se sentissem no céu, envoltos por estrelas de bênção. Por isso, nem todos puderam notar… 

Nem todos puderem notar, em meio a tanto alarido, com todos envolvidos em sentimentos já esquecidos e palavras já nem usadas… Não! Não falo de alarido ou algazarra, que essas são da instância dos dicionários. Falo de coisas que andam fugidias – outra palavra que há muito não ouvimos. Falo de coisas como amor, cuidado, atenção, sentimentos que andam esquecidos, em meio ao atual viver humano, mas que ali, naquele grupo, os corações e almas são insistentes na vontade de resgatar. 

Uma proposta simples: deixar aos pés da árvore algo que tivesse identidade e sinergia com os propósitos de bondade, amor, alegria. Zoraide trouxe o seu presente. Um coração sorridente de papel. Um coração com bracinhos abertos, pronto para abraçar quem o visse. E, com seu gesto, Zoraide abraçou quem estava por perto, abraçou a sala, abraçou a rua, abraçou a cidade, abraçou o mundo, com um gesto inesquecível de desapego e amor. Um coração de papel. Nele, um simbolismo de um tamanho que não se pode medir com as medidas humanas. 

“O coração foi-me dado por meu marido, em um dia muito especial e em um momento que ainda guardo na memória”. O companheiro de Zoraide, muitos não sabem, já não habita esse plano. É, hoje, companheiro das estrelas, dos anjos. E, tenho certeza, onde quer que esteja, naquele momento, ele deve ter parado o que fazia, para não deixar que falte à pequenininha Zoraide um imenso coração construído de estrelas. Imagino o amado de Zoraide, correndo pra lá e pra cá, dando trabalho aos anjos, para recolher estrelas e formar um coração formoso, salpicado de luzes. Nos olhos de Zoraide, falando baixinho, como quem não dissesse um segredo, ela revelou um coração capaz de um supremo desapego. 

Fico imaginando, também, o dia em que Zoraide recebeu de seu amado o coração. Não! Esqueça. Não falo do coração de papel. Com toda certeza, Zoraide recebeu um coração de verdade, com braços fortes de quem ama e que é capaz de deixar em quem fica uma marca tão forte de generosidade. O gesto de deixar o coração ao pé da árvore foi tão rápido quanto a passagem de um cometa, mas marcou meu coração como um abraço na alma. Um presente. Um sagrado coração. O sagrado coração de Zoraide e seu amado, que já se foi. Zoraide não deixou seu coração de papel. Estava escrito, em seus olhos: “Deixo ali, no cantinho, meu coração e uma história de corações que se encontraram, construíram e desenharam corações na areia das estrelas”.

Vi uma lágrima pequena brotando nos olhos de Zoraide. Mas não era tristeza. Era um cintilar de infinito. Como o brilho de alguém que olha e não percebe o que viu. Ela viu, naquele momento, o universo se abrir e seu amado lhe abraçar. Ela viu, sim, os anjos construindo estrelas com luzes. Sei disso tudo, porque também vi, refletido no pinguinho de lágrima brotando em seus olhos. Foi muito rápido. Fugidio, fugaz. Mas ficará, pela eternidade… Como corações, que se abraçam de verdade, em sintonia de amor!

Disciplina

Humilhações, escravidão
Decepção, desespero e vergonha
são companhias constantes
de quem gasta mais do que ganha.

HUMILHAÇÕES: porque estamos sempre buscando favores de amigos e de estranhos.

ESCRAVIDÕES: porque qualquer que seja o valor a receber, a dívida é sempre maior, obrigando-nos a trabalhos às vezes superiores à nossa força…

DECEPÇÕES: porque até os amigos nos evitam com medo de serem enrolados em nossas ansiedades e dívidas.

DESESPERO: porque não percebendo que o erro está em nós, que não controlamos nossas vidas, acabamos nos sentindo abandonados.

VERGONHA: porque acaba chegando o momento em que não conseguimos saldar nossos débitos e não sendo honestos, nos envergonhamos de ficar dando satisfações para adiar dívidas que não deveriam ter sido feitas.

Um ser humano sem disciplina é como um animal correndo sem direção e sem objetivo. Definir objetivos e disciplinar o comportamento visando atingi-lo com segurança e simplicidade é a chave do sucesso.

Walter Amorim

Eu acredito no Brasil

Em setembro de 2009, participei de um grupo de teatro amador, da Fraternidade Espírita Charles Pierre. A peça era “Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho”, inspirada no livro homônimo, que, segundo a crença espírita, é uma psicografia do espírito Humberto de Campos, feita por Francisco Cândido Xavier.

O texto apresenta fatos históricos do Brasil e do mundo, relacionando-os com um planejamento de forças superiores que desejavam fazer de nossa pátria um local para receber espíritos responsáveis por disseminar os ensinamentos de Jesus.

No espetáculo, representei o personagem Helil, espírito evoluído que, no final do século XIV, vem à Terra, acompanhando Jesus em um trabalho de avaliação de como os terráqueos estavam absorvendo os ensinamentos deixados por Ele. Nesta visita, Jesus decepciona-se, ao ver que o mundo político, econômico e social do Ocidente estava conturbado pelo egoísmo, orgulho e vaidade dos habitantes das grandes potências europeias. Jesus, juntamente com Helil, traça um novo roteiro para o desenvolvimento espiritual dos terráqueos. Para isso, Helil deveria reencarnar em Portugal e direcionar o povo português às conquistas marítimas, com o objetivo de descobrir as terras virgens da América e nelas semear os ensinamentos de Jesus.

A peça foi um sucesso de público, nas duas apresentações. Teatro lotado, cerca de quatrocentas pessoas, em cada um dos dias. Além de realizar um sonho meu, que era o de representar para uma plateia grande, participar deste espetáculo fez com que eu passasse a acreditar mais em meu país.

A partir dali, passei a ver nossa pátria como uma nação com uma missão muito especial e de grande responsabilidade: disseminar os ensinamentos de Jesus, governador de nosso Planeta, através do exemplo.

Como escreveu a autora Célia Urquiza de Sá, no livro A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho , “O palco está armado, mas os atores somos nós. O projeto é grandioso, a oportunidade é valiosa, mas depende de nós.” Acredito que recebemos esta missão e estamos sendo orientados para o cumprimento dela. Inúmeros recursos nos foram oferecidos, mas cabe a nós alcançar ou não o êxito na missão.

Desde nossa colonização, há mais de quinhentos anos, temos adquirido conhecimentos importantes a partir de nossos erros e acertos. Características interessantes e importantes marcam nosso povo: a miscigenação racial, fruto dos períodos de escravidão e imigrações, a diversidade religiosa e o convívio pacífico entre seus adeptos, o início de uma maturidade política graças a experiências danosas no passado e a estabilidade econômica pós vários anos de enfrentamento de crises.

Creio que, há vários séculos, nós, brasileiros, estamos sendo preparados para assumir um papel importante no Universo. Não penso que sejamos os únicos, muito pelo contrário. Acredito que nossa missão faz parte de um grande projeto de evolução do Planeta no qual cada nação tem seu papel. Mas, nossa missão torna-se grandiosa por estar relacionada com a energia mais sublime que existe: o amor.

Os acontecimentos dos últimos dias no Rio de Janeiro fizeram com que eu acreditasse ainda mais em nosso país. Ver membros do exército, marinha e policiais militares e civis unidos por uma causa mostrou que é possível fazermos um mundo melhor, sim. Por mais que os “desacreditados” venham dizer que tudo foi uma farsa, que existem objetivos por trás ou que o problema é muito maior do que a parte que foi resolvida, ainda assim eu acredito na importância deste momento e no quanto ele representa, como símbolo de uma nova fase na história brasileira.

Neste final de semana, o brasileiro teve uma prova de que a união realmente faz a força. Quebrou-se um paradigma de que o crime organizado é tão poderoso que torna-se imbatível. Uma pequena parte de uma imensa rede foi desmantelada. Mas, como em uma teia de aranha, o toque em uma das pontas repercute em seu centro. Entre aqueles jovens que empunhavam armas nos morros e os grandes cabeças do tráfico existem vários níveis hierárquicos. Mas, para completarmos uma maratona, é preciso o primeiro passo, que já foi dado.

Vamos acreditar, sim, que um dia conseguiremos extinguir as drogas de nosso convívio. Vamos acreditar, sim, que inúmeras outras comunidades que hoje são reféns do crime vão ser libertadas. Vamos acreditar que o mínimo possível de vidas serão perdidas nesta guerra. E que não nos esqueçamos nunca de que trata-se de uma guerra contra as drogas, contra o crime, contra o mal que esta situação causa aos envolvidos. Que não seja uma guerra contra os traficantes, e sim contra o que os move.

Eu acredito no Brasil!

Em setembro de 2009, participei de um grupo de teatro amador, da Fraternidade Espírita Charles Pierre. A peça era “Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho”, inspirada no livro homônimo, que, segundo a crença espírita, é uma psicografia do espírito Humberto de Campos, feita por
Francisco Cândido Xavier.

O texto apresenta fatos históricos do Brasil e do mundo, relacionando-os com um planejamento de forças superiores que desejavam fazer de nossa pátria um local para receber espíritos responsáveis por disseminar os ensinamentos de Jesus.

No espetáculo, representei o personagem Helil, espírito evoluído que, no final do século XIV, vem à Terra, acompanhando Jesus em um trabalho de avaliação de como os terráqueos estavam absorvendo os ensinamentos deixados por Ele. Nesta visita, Jesus decepciona-se, ao ver que o mundo político, econômico e social do Ocidente estava conturbado pelo egoísmo, orgulho e vaidade dos habitantes das grandes potências europeias. Jesus, juntamente com Helil, traça um novo roteiro para o desenvolvimento espiritual dos terráqueos. Para isso, Helil deveria reencarnar em Portugal e direcionar o povo português às conquistas marítimas, com o objetivo de descobrir as terras virgens da América e nelas semear os ensinamentos de Jesus.

A peça foi um sucesso de público, nas duas apresentações. Teatro lotado, cerca de quatrocentas pessoas, em cada um dos dias. Além de realizar um sonho meu, que era o de representar para uma plateia grande, participar deste espetáculo fez com que eu passasse a acreditar mais em meu país.

A partir dali, passei a ver nossa pátria como uma nação com uma missão muito especial e de grande responsabilidade: disseminar os ensinamentos de Jesus, governador de nosso Planeta, através do exemplo.

Como escreveu a autora Célia Urquiza de Sá, no livro A Missão do Brasil como Pátria do Evangelho , “O palco está armado, mas os atores somos nós. O projeto é grandioso, a oportunidade é valiosa, mas depende de nós.” Acredito que recebemos esta missão e estamos sendo orientados para o cumprimento dela. Inúmeros recursos nos foram oferecidos, mas cabe a nós alcançar ou não o êxito na missão.

Desde nossa colonização, há mais de quinhentos anos, temos adquirido conhecimentos importantes a partir de nossos erros e acertos. Características interessantes e importantes marcam nosso povo: a
miscigenação racial, fruto dos períodos de escravidão e imigrações, a diversidade religiosa e o convívio pacífico entre seus adeptos, o início de uma maturidade política graças a experiências danosas no passado e a estabilidade econômica pós vários anos de enfrentamento de crises.

Creio que, há vários séculos, nós, brasileiros, estamos sendo preparados para assumir um papel importante no Universo. Não penso que sejamos os únicos, muito pelo contrário. Acredito que nossa missão faz parte de um grande projeto de evolução do Planeta no qual cada nação tem seu papel. Mas, nossa missão torna-se grandiosa por estar relacionada com a energia mais sublime que existe: o amor.

Os acontecimentos dos últimos dias no Rio de Janeiro fizeram com que eu acreditasse ainda mais em nosso país. Ver membros do exército, marinha e policiais militares e civis unidos por uma causa mostrou que é possível fazermos um mundo melhor, sim. Por mais que os “desacreditados” venham dizer que tudo foi uma farsa, que existem objetivos por trás ou que o problema é muito maior do que a parte que foi resolvida, ainda assim eu acredito na importância deste momento e no quanto ele representa, como símbolo de uma nova fase na história brasileira.

Neste final de semana, o brasileiro teve uma prova de que a união realmente faz a força. Quebrou-se um paradigma de que o crime organizado é tão poderoso que torna-se imbatível. Uma pequena parte de uma imensa rede foi desmantelada. Mas, como em uma teia de aranha, o toque em uma das pontas repercute em seu centro. Entre aqueles jovens que empunhavam armas nos morros e os grandes cabeças do tráfico existem vários níveis hierárquicos. Mas, para completarmos uma maratona, é preciso o primeiro passo, que já foi dado.

Vamos acreditar, sim, que um dia conseguiremos extinguir as drogas de nosso convívio. Vamos acreditar, sim, que inúmeras outras comunidades que hoje são reféns do crime vão ser libertadas. Vamos acreditar que o mínimo possível de vidas serão perdidas nesta guerra. E que não nos esqueçamos nunca de que trata-se de uma guerra contra as drogas, contra o crime, contra o mal que esta situação causa aos envolvidos. Que não seja uma guerra contra os traficantes, e sim contra o que os move.

A energia das árvores

Elas estão por toda parte, cada uma no seu jeito. Frondosas, esguias, grandes, pequenas, secas, vistosas,r epletas de folhas, floridas.

As árvores, nossas amigas ancestrais, exercem um papel fundamental para a vida humana na Terra, atuando no combate à poluição, reduzindo o calor e protegendo-nos contra os raios solares. Além disso, minimizam as ações dos ventos e das poeiras e ainda absorvem os ruídos ou barulhos, fazendo com que nossas moradias se tornem ambientes mais tranquilos.

Comercialmente, as árvores são utilizadas para a produção de carvão, papel, combustíveis, colas, vernizes, resinas, tintas, gomas, cortiça e uma infinidade de objetos. Mesmo o cidadão com menor poder de consumo, e nos locais mais remotos, consome madeira, por exemplo, ao usar a lenha como combustível.

Creio que a importância das árvores em nossa vida faz parte do senso comum. Mesmo que não as conservemos ou cuidemos bem delas, sabemos que precisamos delas.

Porém, uma grande utilidade das árvores ainda pouco conhecida e utilizada é como fonte de energia vital. As árvores, assim como tudo que existe no planeta, são feitas de energia e são excelentes condutoras energéticas.

Existem várias propostas de trabalhos energéticos com árvores, que variam conforme a linha de pensamento. Ao final deste artigo, relaciono algumas delas. Mas, se deseja algo bem simples e eficaz, faça o seguinte:

A partir de agora, passe a ver as árvores como seres vivos, que estão compartilhando o mesmo ambiente que você. Respeite-as, cumprimente-as mentalmente e tente sentir a emanação energética de cada uma delas. Assim, você estará criando familiaridade com as árvores. Depois, parta para o contato. Sempre que sentir vontade, abrace uma árvore, calorosamente. Entregue-se ao abraço, envolva-a com seus braços, deixando seu coração em contato direto com o tronco da árvore amiga. Esqueça de tudo o que estiver à sua volta e curta o momento. Com certeza, você sairá do abraço renovado.

Continue lendo “A energia das árvores”

Respeitar o espaço do outro não é abandoná-lo

Em qualquer de nossas relações sociais, um cuidado importante que devemos ter é não confundir respeito ao espaço do outro com abandono. Aparentemente, são duas coisas muito diferentes. Mas, na prática, são muito parecidas e com efeitos totalmente contrários.

Quando um amigo distancia-se de nós, por exemplo, devemos correr atrás, questioná-lo sobre o sumiço ou deixar como está, para não corrermos o risco de sermos invasivos?

Há aqueles que preferem “ficar na sua” e, com a intenção de respeitar o espaço do outro, deixam as coisas como estão. Penso que é um erro gravíssimo. Uma verdadeira relação de amizade é feita de companheirismo e entendimento. Muitas vezes, quando um amigo distancia-se, aparentemente sem motivos, pode ser exatamente o momento em que ele mais precisa de você! Existem pessoas que não conseguem pedir ajuda. Que, ao se depararem com algumas situações, isolam-se.

Acredito que respeitar o espaço do outro, em momentos como o acima, é você mostrar para o seu amigo que você está por perto e que ele pode contar com você para o que for preciso. Talvez, seu amigo realmente vá preferir ficar distante, curtindo o problema dele. Mas, saber que você preocupa-se com ele e que está “ligado nele” será muito reconfortante. Tenha certeza disso! Mesmo que, aparentemente, ele não demonstre que ficou feliz com sua preocupação ou diga que está tudo bem (e você perceba que é mentira), saiba que sua re-aproximação é importante para o sucesso dele!

Abandonar é deixar como está, sem aproximar-se. Respeitar o espaço é manter-se distante, porém observando cada passo do outro, dando sinais a ele de que você está ali, aguardando-o para quando precisar.

Se você vivenciar uma situação semelhante, seja com um amigo, familiar, namorado(a), esposo(a) ou até mesmo um conhecido, não o abandone. Em algumas situações, mostrar que está por perto pode ser apenas mandar um e-mail dizendo “Olá, como vai? Se precisar, estou aqui”.

Vivemos uma época em que a correria de nosso dia-a-dia tende a afastar-nos cada vez mais das pessoas. É importante estarmos atentos e não deixar que isto aconteça. Programe-se! Coloque em sua agenda lembretes para ligar para seus amigos mais distantes. Cuide deles como um vendedor cuida de sua carteira de clientes. Agende dias para ligar para eles. Coloque como meta fazer contato, em prazos determinados. E, também, sempre que lembrar-se de um deles, mostre a eles o quanto são importantes para você. É muito bom saber que alguém gosta da gente. E ouvir, ou ler isso, é melhor ainda.

Avós…

Os avós são diferentes, muito diferentes dos pais.
Não são melhores nem piores, mas diferentes.
Pais e mães são nascimento. Avós são boas-vindas.
Pais são trilha e caminho. Avós são paisagens!
Pais são aula, aprendizado, ensinamento. Avós são recreio.
Pais são alimento, nutrição. Avós são merenda.
Pais são alegria e sorriso. Avós são cócegas, gargalhada!
Pais são cores na tela. Avós são inspiração para a pintura.
Pais são lembranças para a vida toda. Avós são saudades que nos levam pelas mãos.
Pais são céu azul. Avós são brincadeira de ver animaizinhos nas nuvens.
Pais são responsabilidade. Avós são o afrouxar da gravata ao fim do dia.
Pais são a primeira lição. Avós, a reflexão.
Pais são o primeiro presente. Avós são o dia bom de fazer grandes laços de fita.
Pais são carinho, ternura. Avós, um colo imenso e fofo de dar gosto.
Pais são aprender a arrumar a casa. Avós são o dia todo pra brincar de caça ao tesouro, tirando tudo do lugar.
Pais são arroz, feijão, batatinha, salada, tutu. Avós são pudim de leite com calda escorrendo.
Pais são a mão que segura na mão, para as primeiras letras. Avós são poesia.
Pais são canção. Avós? Ah! Avós são as teclas de um piano ecoando na sala.
Pais são olhar atento e cuidadoso. Avós são a visão da alma.
Pais são histórias. Avós são a reinvenção dos enredos.
Pais são pais. Avós são tudo o que eles são, com direito a tudo em dobro! 

Um abraço grande a todos os avós em seu dia!

Ney Mourão

A melhor de todas as religiões

(*) Ney Mourão

A melhor de todas as religiões?
Aquela que abraça a todos, como potenciais irmãos, amigos, membros da mesma família humana e planetária, independente de qualquer expressão de religião, religiosidade, ou mesmo perante a ausência delas.
Aquela onde, mais importante que o rito, seja o encontro entre almas a maior de todas as celebrações.
Aquela em que não haja a palavra escrita da leitura dogmática e inflexível, mas que exercite em seus membros o gesto de ouvir o outro, desprovendo-se de atribuições de verdades absolutas e percebendo cada criatura como um universo único, belo e repleto de mistérios e descobertas constantes.

A melhor de todas as religiões?
Aquela que promova a felicidade, acima de todas as buscas. E que consiga que a felicidade de uns jamais comprometa o equilíbrio, a alegria, o bem-estar e a paz dos demais.
A melhor de todas as religiões, mais que ensinar, deve exercitar a prática do compartilhamento, da descoberta, mesmo que isso signifique sacrificar crenças anteriormente arraigadas, sabendo-se que a natureza e o Universo são, por si só, energias em constante evolução – e isso pressupõe a abertura a ideias novas, talvez ainda nem conhecidas.
A melhor de todas as religiões é reveladora e libertária. E quem a praticar deve saber que ser livre é saber exatamente que, por sermos todos absolutamente iguais, basta que aquilo que sentimos como não-necessário e ruim para nós é, por si só, não-necessário e ruim para todos, sejam amigos ou inimigos, iguais ou diferentes, presentes ou ausentes, desde que habitem o mesmo Universo que nós.

A melhor de todas as religiões?
A que não confunde hierarquia com opressão e domínio. Que promova o exercício do diálogo, da confiança e do respeito. Que incentive a gratidão permanente, e que gratidão seja uma prática tão constante que se torne quase sinônimo de fé.

A melhor religião difunde esperança. E percebe em cada pessoa uma potencial fonte de renovação do mundo. Quem segue a melhor de todas as religiões nem mesmo perdoa, já que jamais se magoa, ofende-se ou deixa-se levar pela injúria.
A melhor de todas as religiões é humilde. E, como tal, não julga às demais. Não oferece suas portas como templos da salvação exclusiva. Pelo contrário, é a arena acolhedora e cuidadora dos que buscam. Ela, por si, deve encarar-se também como eterna buscadora, percebendo-se como não-pronta, já que a verdade pode estar além de suas portas.

Quem professa a melhor de todas as religiões conecta-se com o bem não apenas em um templo, mas em todo e qualquer lugar, já que é no exercício diário da vivência e da convivência que se conhece o verdadeiro caráter e os anseios efetivos de cada ser em busca do desenvolvimento, da paz, da ética, do respeito ao semelhante. Assim, cada rua, cada trilha, cada lar, cada ambiente de trabalho, cada aposento, cada canto, cada automóvel, cada espaço ocupado por uma alma ou por uma energia pulsante, seja animal, vegetal ou mineral, é o templo onde deve ser exercida esta, a melhor de todas as religiões.

A melhor de todas as religiões confunde-se com abraços humanitários e solidários e olhares repletos de carinho universal. Confunde-se com compreensão, caridade e tolerância.
A melhor de todas as religiões não precisa ter um nome, uma marca ou um signo identificador. Ela transcende fronteiras de países, línguas e raças.

Amor! Eis a melhor de todas as religiões.
Que sejamos capazes. Que assim seja!

O envelhecimento maduro

Contribuição: Márcia Leão (*) 

Tenho pensado muito no envelhecer de cada um. Este processo, absolutamente individual, perturba, assusta, ao mesmo tempo em que encanta, revigora… 

A partir de mim mesma, percebo que as alterações físicas inevitáveis não têm a capacidade de interferir em quem sou. Pensando nas diversas culturas, percebemos que a velhice pode ser vista de várias maneiras; um peso, um castigo, uma dádiva, um merecimento… E na nossa sociedade?

Temos por aqui duas correntes:
Uma, acredita na eterna juventude e sofre terrivelmente com a ação inexorável do tempo. Recorre, então, a plásticas, a tratamentos impensáveis, tentando mascarar o que não pode ser negado. Para estas pessoas é muito mais fácil aceitar a morte que a velhice. Normalmente, são pessoas que estão muito mais preocupadas com o externo, com as aparências que com os conteúdos.  Estão presas na ditadura de uma beleza padrão,  só possível aos vinte anos, e deixam de vivenciar a beleza  de suas respectivas idades. 

A outra corrente adapta-se a cada necessidade, aceitando sua condição sem, no entanto, esquecer os cuidados necessários para a manutenção da saúde em todos os âmbitos. São felizes por ter conseguido envelhecer com dignidade. São respeitados e admirados por seus familiares e amigos. São bonitos, alegres, “bem sucedidos” (Não estou pensando aqui em questões econômicas).

Na natureza, tudo se transforma todos os dias dentro das quatro estações e ninguém questiona a beleza inerente a cada estação.  Também em nós, as estações acontecem a cada dia e em cada época da vida. Todas belas, todas ricas. “Nada mudou”. A pessoa que nós somos não envelhece. Envelhece nosso corpo, branqueia nosso cabelo, enruga nossa pele, mas nós, em nossa inteireza, não mudamos. Se eu não perder a essência de quem sou, não perderei minha beleza, meu vigor, minha alegria…

O segredo está em aprender a ver o belo de cada época e viver essa beleza em plenitude.  Há que se ter maturidade para perceber este belo. Há que se ter olhos para ver a intensidade de vida contida em cada ruga, em cada fio branco de cabelo, em cada história.

Nada a criticar. Cada um viveu o que conseguiu viver. As escolhas feitas não têm volta, mas temos ainda as escolhas a fazer. Como quero viver daqui para frente. Lamentando cada ano passado ou agradecendo cada novo dia; curtindo tudo o que a natureza me proporciona, me adaptando todo dia à minha nova realidade, agradecendo os avanços tecnológicos que me permitem viver melhor em todas as idades; cuidando do meu corpo, da minha mente, do meu coração, do meu espírito; alimentando o meu ser de esperança, ternura, gratidão…  Ainda que aos 100 anos, tenho todos os dias escolhas a fazer. 

Como quero envelhecer?  Eu tenho escolhido envelhecer feliz. 

(*) Márcia Leão  é assistente social. Proprietária do Solar das Estações Hospedagens Ltda. Fundado em 2002, o Solar atende atualmente a um grupo de onze idosos com necessidades especiais (Alzheimer, Corpúsculos de Levy, Parkinson, sequela de AVC etc), de ambos os sexos, em carater de residência ou casa dia.  A instituição está situada no bairro Sion, em Belo Horizonte/MG, contando com uma equipe especializada de técnicos de enfermagem, fisiotrapeuta, terapeuta ocupacional, nutricionista, psicóloga, educador físico e fonoaudióloga. Atende na perspectiva de residência assistida, usando diversos recursos de abordagem que buscam estimular e facilitar a convivência social destes idosos e seus familiares. Márcia Leão ressalta: as visitas são abertas e sempre bem vindas.