Impressões sobre o II Encontro Celebrando – A Energia do CUIDADO

Mais uma vez, CELEBRAMOS! Foi um Encontro mágico, surpreendente. Treze almas – de novo, “pra variar”, estavam lá, no Instituto Renascer da Consciência, para refletir, aprender e exercitar a energia do CUIDADO.

Em meio a (muita!) bagagem, levávamos conosco, na sexta-feira à noite, também muitas expectativas. Como seria retornar a um Encontro de três dias, após apenas seis meses depois do primeiro, onde tantos de nós tivemos a graça de sermos tocados por uma maravilhosa chama do afeto, do carinho, da solidariedade?

Talvez esta fosse uma das perguntas que ecoavam, na chegada, ao realizarmos e vivência de passear pelo Labirinto. Uma dentre tantas perguntas. Um dentre tantos os sentimentos em meio ao mar de calma e serenidade que aquele primeiro momento já nos proporcionava. Em silêncio, ouvindo os próprios passos e os passos dos amigos pela relva e pelas pedras úmidas de orvalho. Ocasionalmente, também o soar profundo do sino que anunciava a cada um “Vai! Penetra em si  mesmo, no vale profundo e mágico de sua intuição, de seu inconsciente, de seu ser mais sincero. É lá, com certeza, onde estão as respostas”.
Depois, a primeira refeição, abençoada por todos, no refeitório aconchegante e repleto de mensagens de paz, harmonia, fé, serenidade e calma. Ali já notamos que estávamos em outra frequência, buscando efetivamente o cuidado com nossos corpos e almas, presenteando-nos com a ausência da pressa, com o esquecimento da agenda e dos problemas cotidianos.

Um pouco mais tarde, no Auditório Roberto Crema, em meio a mandalas e coloridas almofadas, uma alegre festa de boas-vindas, com direito a performances de nossos “artistas” improvisados, no melhor e mais alegre estilo da família Zenitude. Festa para os olhos, para o coração. Festa para celebrar o convívio. Festa por estarmos vivos e abraçados pelo cuidadoso e terno (eterno!) hálito divino.

Boa noite, disseram os anjos, ajeitando nossos cobertores e soprando em nós um sono protetor! E bom dia, repetiram, no sábado! Ah! O sábado! Que dia!!! Os conceitos sobre o CUIDADO, assimilados aos poucos, na palestra que também teve seus momentos de festa, arte e alegria. CUIDADO: a essência humana primordial! Eis o grande resumo! E, para cuidar de cada um, colocando tudo em prática, a impactante e forte vivência com exercícios para resgatar a energia mais íntima e esquecida. Para alguns, foi como um nascimento. Para todos, uma grande celebração. Impossível manter-se apático, impossível a inércia, impossível o “não-estar”, “não-ser”… Fomos SERES, em essência, em cada gesto, em cada movimento, em cada lágrima, em cada postura de auxílio ao outro. Sim! Pois o tempo inteiro também éramos, além de anjos cuidadores de nós mesmos, os anjos guardiões de alguém, na vivência do Anjo da Guarda, que percorreu e abraçou todas as vivências durante os três dias.

À tardinha, um tempo para celebrarmos a criança em cada um de nós. No “momento criança”, a doçura para o corpo e para a alma. Até um aniversariante nos foi dado como presente dos céus para comemorarmos, juntos, a grandeza da vida. E nada melhor que festa de aniversário com balas, chapeuzinhos, balões, brincadeiras de roda. E muita, muita, muita, muita, mas muita risada. De perder o fôlego, pois assim é que é gostoso! Perder o fôlego, para ganhar energia, para continuar, no cotidiano sério do mundo, lembrando que a energia da criança que ainda existe em nós ajuda-nos a encarar os desafios com mais leveza, esperança, criatividade e alegria.

À noite, o cuidado com a contemplação… Lembrar que sobre nossas cabeças, todos os dias, há um lindo céu salpicado de estrelas e uma lua dourada a nos recordar que fazemos parte de um todo maior, cósmico, universal e belo. Algo que muitas vezes esquecemos, com a correria para vencer os desafios cotidianos. Mas que é preciso lembrar, sempre, para não perder a ternura, jamais!

Outra noite reconfortante e o domingo. Ao amanhecer, para despertar sem dispersar, a meditação no belo auditório circular para meditação. Emoções, intuições, mensagens. Que dádiva, a conexão com o Universo. Que graça, a sintonia com a energia divina, com o divino que há em  torno de nós. Um amparo, um acalanto. Uma melodia que não se pode ouvir apenas com os ouvidos.

E, então… Xangri-Lá! Sim! Xangri-Lá não é apenas um mito esquecido nas páginas de uma história antiga. Estivemos lá. No caminho exercitamos, em parcerias, o cuidado com o outro. Olhos vendados, trilhando caminhos. Anjos vivos dos passos do irmão. Uma vivência repleta de significados, de mensagens, de aprendizado. Nada mais natural que assim fosse a trilha até a capela de cimento e vidro de Xangri-Lá, um pequeno recanto incrustado, tal como um diamante, no meio da rústica mata. Mais emoções, lágrimas, carinho… CUIDADO!

Mas talvez o mais forte de todos os momentos ainda estava por vir. Talvez tudo o que tínhamos vivido até ali tivesse sido uma preparação. No caminho de volta, outro belo e aconchegante cantinho nos recebeu para a corrente de vibrações. Um círculo de árvores, flores, cristais e um riacho de águas cristalinas foi o nosso espaço ecumênico. Ali, lembramo-nos dos amigos distantes, dos familiares, das causas humanas, da solidariedade, dos ideais de paz, de bondade, de verdade e beleza. Ali, lembramo-nos de abraçar o Planeta e, com certeza, conectamo-nos aos amigos, que convidamos para o momento e que, de alguma forma, ali estavam. Ali, entoamos canções embaladoras da alma. Ali, em silêncio, ouvimos a natureza. Ali, vivenciamos alguns minutos de transformação e transcendência.

Mas o domingo ainda teria muito a nos ensinar. No trabalho dos grupos, o exercício do aprendizado do cuidado com o outro, com o meio ambiente, com a transcendência e consigo mesmo. Teatro, música, reflexão, trabalhos manuais. De novo, como crianças descobrindo o mundo. E quantas descobertas! Tesouros que levaremos guardados pelo tempo afora.

E, por falar em guardar, nada mais simbólico que um término sob as asas dos anjos guardadores. Que encantador o encerramento da vivência do Anjo da Guarda! Um a um, percorremos o túnel de carícias, ao som das músicas plenas de mensagens angelicais. “Há um anjo aqui”, canta uma delas… “Tem anjos voando nesse lugar”, diz outra… “Guardarei seus passos, por onde você for”, entoa, ainda, outra canção. Foram muitas. Mas a emoção imensa nem permite lembrar direito. Ficou na memória apenas os toques no túnel de carícias, o abraço revelador de cada anjo – cada um do seu jeito, cada um com sua expressão de leveza, alegria, graça e carinho.

Faltam adjetivos para definir cada um dos momentos vividos. As palavras humanas são poucas para representar como fomos tocados. Uma energia imensa ainda acompanha cada um de nós. Uma ressonância de vibrações que se confunde com saudade e vontade que o próximo encontro aconteça brevemente. E que outros elos humanos estejam por lá. Outras almas. Outros encontros. Outros seres celebrantes da vida, do cuidado, do amor. Quem sabe… VOCÊ!

Ney Mourão

Impressões de uma jornada

 

– Sobre o I Encontro “Celebrando a Energia da Vida”, No Instituto Renascer da Consciência, nos dias 20 a 22 de novembro de 2009 –

(Ney Mourão)

Encontro "Celebrando a Energia da Vida": trilhando caminhos de aprendizado!
Encontro "Celebrando a Energia da Vida": trilhando caminhos de aprendizado!

Escrever sobre determinados momentos é como quando nos colocamos a mostrar fotos para alguém e, meio aflitos, ao seu lado, tentamos improvisar uma legenda imediata e ansiosa, sôfregos por transmitir a emoção e as sensações que sentimos, quando estávamos lá, naquele lugar, imersos naquela paisagem, agora estática e sem vida, da foto mostrada.


Escrever sobre determinadas circunstâncias é carregar o sofrimento do escultor, que traz em sua alma a vibração da forma, mas que sabe, lá no fundo, que suas mãos serão incapazes de materializar, com toda a definição e nitidez, a embriaguez de seu delírio.

Eis que me arrisco a contar sobre um Encontro. Um Encontro de corpos, mas, mais que isso, um Encontro de almas. Aconteceu em novembro de 2009. E parece que ainda acontece e acontecerá por muitas existências, na vida de cada um.

Quando lá chegamos, não podíamos imaginar que tudo seria tão forte. Logo no início, um ritual de lava-pés. E um passeio consigo mesmo em um labirinto, descalços, embalados pelo cantar dos seres da noite. Com os pés ainda úmidos, e o coração inundado de perguntas. Como fazer apenas UMA ao labirinto? Com os pés ainda úmidos do lava-pés que nos lavou e começou a nos despir na água, logo na entrada. E a água tépida, que imaginávamos gelada, aqueceu nossos corações para um jantar cheio de significado, bênçãos e gratidão. Sem carne, para aquietarmos o espírito. Sem grandes ruídos, para ouvirmos as nossas vozes internas e as vozes dos irmãos mais próximos.

Depois, a construção de uma mandala. Para surpresa do facilitador, tal como aves, instintivamente, recusamo-nos a construí-la no chão. Indícios iniciais de que iríamos voar! Muito amarelo, muito azul, muito verde, muito cuidado e muita simetria, tudo guardado, tudo simbolizando acolhimento e carinho. Que noite! Que primeira noite! E eis que nos surpreendemos de novo: não houve fotos! Seria pouco, para registrar os sentimentos… Ainda não inventaram nada que fotografe nossas almas em chamas.


Antes do recolhimento, um ritual. Uma escolha: a figura geométrica que, sob a luz das estrelas, mais lhe atraísse, em um jardim de formas. Círculos, quadrados, pentagramas, hexagramas, pirâmides… Tudo pequeno e ao mesmo tempo tão vasto, para a grandeza dos questionamentos humanos. Para onde? De onde? Como caminhar? Perguntas para embalar nossos sonos e sonhos. No dia seguinte, um dia lindo a nos esperar!

Um dia que amanhece com o canto de um pavão? Ora, ora! Já devíamos prever que a noite anterior era apenas um aroma, perto dos mil sabores do dia. Um desjejum especial, com melado e raízes e frutas e sucos e ervas e chás… E boas companhias ao redor. Outros grupos, outras formações, outras buscas. Outras vontades de caminhar. Mulheres bonitas – e o que mais? Bonitas, alegres, radiantes… Um grupo que dividiu conosco o espaço e a vontade de compartilhar…

E, falando em caminhar e compartilhar, lá fomos! Um lugar chamado Reino das Pedras! Para quebrar a dureza de nossos corações, tornar-nos mais flexíveis para a auto-compreensão. Um caminho mágico e em silêncio. Mais vozes internas. Mais intuições e sussurros ao ouvido. Das alturas, uma pena de águia que caiu. Um presente, marco simbólico para o Encontro! Choros de emoção, primeiros compromissos de renovação. Renascimentos… Nascimentos… Renovações…

Mas era necessário continuar caminhando. Pelo caminho por onde um dia os ancestrais foram levados. E pelas trilhas do sincretismo e do ecumenismo. Raízes africanas, orientais, hindus. Memórias atávicas de atabaques vigorosos e sons memoriais de templos budistas e cheiros de incenso. Tudo em um mesmo cadinho efervescente e visceral. Houve gente que se incomodou. Houve quem se desacomodou. Houve quem cantasse uma música linda – desconhecida naquele momento até mesmo para ela. Houve quem pensasse que queria não sentir a vontade de estar sentindo. Houve quem visse borboletas azuis a guiar o caminho e quem visse reflexos dourados na água, a revelar presenças. Mas não houve indiferença – já que essa, ao contrário do ódio, é o oposto do amor que nos embalou em todos os momentos. Que manhã inesquecível!

Depois do almoço, novamente abençoado, um momento para resgatar a criança esquecida. Trilha de pipocas. E uma certa irreverência no ar.  Difícil juntar todos. Cada um brincando de esconde-esconde. Uma confusão que acabou por nos mostrar que precisamos, sim, de momentos em que nos deixemos ser levados pelo moleque descalço ou pela menina de trancinhas que ainda estão ali, em algum lugar da nossa alma, adormecidos, esperando pra brincar. Que bom, exercitar responsabilidade com alegria. “Tenhamos a responsabilidade do adulto, sem deixar morrer a alegria da criança que habita em cada um”. O recado veio certeiro, sabe-se lá de que parque florido das alturas! Mas chegou aos ouvidos com a força de uma canção resgatada da infância! Que tarde!

Grupo Meu Cantar (ao fundo) e participantes do I Encontro "Celebrando a Energia da Vida"
Grupo Meu Cantar (ao fundo) e participantes do I Encontro "Celebrando a Energia da Vida"

Mas ainda havia muito a se emocionar. E, numa noite tão linda, fomos embalados por um quarteto de vozes pra lá de especial. Quem ensaia o Grupo “Meu Cantar”? Serão os anjos, na certa! Ou, quem sabe, as estrelas e o luar… Ou, quem sabe, ainda, aprenderam com o canto do pavão que, ao fundo, fazia coro com eles. Vozes repletas de tudo. Um cantar de celebração da vida! Meu cantar, nosso cantar, o cantar de todos!


O local tem um nome emblemático: Renascer da Consciência. Tais como Fênix, lá estávamos, à noite também, ateando fogo em nossas asas e emoções, para renascer das cinzas. Em dado momento, literalmente, quando escrevemos em nossos papéis as mágoas, os rancores e propusemo-nos a deixar que se esvaíssem sob as chamas de uma fogueira sob uma linda lua a nos iluminar. E quão foi difícil acender a fogueira! Parecia que ela queria nos dizer como é difícil, mesmo, livrarmo-nos assim, do que é mal, para recebermos o bem de alma lavada – e aquecida! Mas teimamos! Tinhosos da vontade de sairmos melhor. E assim foi. Mesmo difícil, as labaredas subiram aos céus, levando ao firmamento nosso propósito. Ao dormirmos, deixamos ali, queimando, um pouco do que tínhamos sido. E, com certeza, o pouco que deveria mesmo ter deixado lá, a arder. Que noite!

"Biodançando" e celebrando!
"Biodançando" e celebrando!

E eis que chegamos ao último dia. Último? Talvez melhor dizer… a véspera do primeiro de dias diferentes a se descortinarem. Pela manhã, após o desjejum que já deixava saudades e da meditação cheia de magia, dançamos a vida! Bio-DANÇA! Gestos para expressar a alma. Alma expressa em cada movimento. Sentimentos aflorados, durante e depois. Choros contidos há décadas. Novos compromissos. Anseios. Novos rumores interiores e silêncios. Depois, o abraço energético aos que não foram, aos que estavam em espírito, aos que poderiam e deveriam estar… A você, que agora lê e não foi. Ao planeta inteiro. Energia real, pulsante, acessando o poder que temos latente e que, agora, cremos possuir! Que manhã!


Antes da despedida, um passeio até a cachoeira. Guardados por energias santificadas, ruídos da natureza, aromas, flores… Novos compromissos e enfrentamentos de medos. Alguém que deixou para trás o receio de mergulhar em si mesma… Alguém que descobriu-se imerso em carinho e proteção.

Na despedida, compromissos concretos. Posturas, atitudes e ações individuais e coletivas por um mundo melhor. Uma roda de diálogo, para um abraço inesquecível. Uma vontade de ficar. Poucas fotos, porque os dedos foram mais lentos que a alma, para registrar. Uma pena de águia, que viajará pelo mundo, como se ainda pertencesse a asas que vivem e pulsam.


E uma pedra fundamental, para se lembrar.

Uma pedra, para lembrar? Mas… como esquecer?

(A você, que não esteve conosco nesse Encontro, o desejo de que nossa energia tenha lhe alcançado, de alguma forma. E o convite para que entre nesse abraço de elos apertados, onde sempre haverá um lugar reservado… Esperamos por você, nos próximos encontros!)

Ney Mourão

O despertar de um coração – Uma fábula cheia de encantamento e energia

Durante o I Encontro “Celebrando a Energia da Vida”, realizado em Minas Gerais, no Instituto Renascer da Consciência, nos dias 20 a 22 de novembro, houve intensos momentos de emoção, que não se restringiram apenas aos dias do Encontro. Nos dias seguintes, os participantes continuaram “inebriados” pela energia boa, imersos na vontade de continuidade de busca da paz, do equilíbrio e da harmonia anterior.

No Encontro, em uma das vivências, cada participante atribuiu-se uma característica, um apelido carinhoso para ser reconhecido pelos demais.  Assim que retornou às suas atividades, Andréa Binder, uma das participantes, intuída pelo “astral” dos dias de reunião, redigiu esta bela fábula, abordando a necessidade da serenidade e do bem-estar pessoal. No texto, ela utilizou as características de cada um dos participantes.

Mesmo para quem não esteve por lá, vale o encantamento da leitura. Deliciem-se com esse presente. E fiquem à vontade para comentar, compartilhar, estabelecer novos “elos”.

Ana amiga
Andréa adora dar BOM DIA!
Carlinhos centrado
Lino lindo
Márcia maravilhosa
Mônica meiga
Najara navio
Ney normal
Reginaldo renovador
Rita reta
Roberto roncador
Rosângela rocha
Simone sorriso

O despertar de um coração

despertarBOM DIA!!!!

Era uma vez uma meiga garota que estava descobrindo o amor. Ela olhava as flores, o campo verdejante, o sol, as estrelas, a lua… Em tudo ela via o amor. E cada vez que ela pensava nas maravilhas da natureza abria um maravilhoso sorriso. E ia distribuindo essa felicidade para todos que encontrava. Num belo dia de sol, saindo pelos campos a cantarolar se depara com um ruído diferente. Aguça os ouvidos para localizar de onde vinha som tão estranho até que, após a revoada de uns pássaros localizou tal barulho. Foi se aproximando devagarzinho, pé ante pé e se deparou com um lindo jovem deitado sobre a relva. Seu sono era tão profundo que chegava a emitir um estranho som de sua boca. A doce menina nunca tinha ouvido nada igual. Começou a se questionar e chamou seus amiguinhos esquilos, que se encontravam próximos para que a ajudassem.
– O que é isso que esse lindo moço está fazendo?
– Minha doce e meiga amiga, os humanos, quando adormecidos como ele está costumam emitir esse som… não sabemos bem porque isso ocorre mas sabemos que eles adquirem um nome.
– Que nome?
Roncador… não sei o motivo nem o que significa, mas como quase todos fazem isso, acho que é normal…
– Fato revelador esse meus amiguinhos…

Enquanto conversavam o “roncador” continuava a tocar sua sinfonia…
Mas a linda menininha, não satisfeita com tudo isso começou a olhar ternamente para o lindo jovem até que ele despertou.
Ao abrir os olhos, assustados com a menina e os esquilos a observá-lo, sentou-se rapidamente.

– Bom dia, lindo moço roncador!
– Bom dia!!! Mas porque roncador?
– Achei que esse fosse seu nome…
– Não… mas porque roncador?

A menininha, sorrindo, explicou a ele tudo o que se passou e ele, abrindo um largo sorriso ficou feliz por estar diante de inocentes vidas.

– Quem é você, lindo jovem?
– Sou um viajante, que cansado de tanto caminhar por essas estradas, acabei deitando-me nessa relva macia e confortante para descansar meu corpo, que apesar de novo, trás as marcas de uma vida com muitos embates. Estou à procura de uma estrada, mas não a acho. Já rodei, subi em árvores, escalei montanhas, até uma rocha tentei transpor mas não consigo ver onde se encontra essa estrada.
– Que estrada você procura?
– A estrada do amor… Disseram-me que ela é reta, tranqüila, serena e que se movimenta como um navio em mar calmo diante dos corações puros. Mas não a acho em nenhum lugar… Você conhece essa estrada?
– Claro, meu amiguinho!! Ela está tão próxima de você… E é maravilhosa!!
– Onde? Olho em todas as direções e não a vejo…
– Você tem certeza que olhou em todas as direções?
– Sim… Acho que sim…
– Então mude a forme de lançar esse olhar. Coloque o colírio da simplicidade, os óculos da benevolência, use a luneta da compaixão e seus olhos se revestirão com a luz da inocência.

O jovem moço, seguindo a orientação da meiga criatura que se encontrava a seu lado, sob o olhar atento dos esquilos e de outros animaizinhos que se aproximaram, pingou o colírio, colocou os óculos e fez uso da luneta que a menina oferecia. Ao abrir novamente os olhos, sentindo uma sensação nunca antes imaginada, começou a chorar. A cada lágrima derramada seu olhar ficava mais claro, mais límpido, mais leve. O verde era mais verde, o azul era mais azul, a natureza tinha o aroma e a cor da VIDA!

– Meu Deus, que coisa mais linda!!! Esse colírio é mágico, renovador?
– Não… Ele é normal… Como você também o é… Ele é o mais simples dos colírios existentes no universo. Ele é o colírio da transparência e da aceitação. Você, ao usá-lo com o coração aberto, vê as coisas como são e as aceita, vendo nelas a beleza e não a crítica. Você acaba ficando centrado no que realmente importa, ou seja, nas coisas naturais, na beleza inocente e na responsabilidade de saber como lidar com tudo isso. Observe a natureza… Não há nenhuma flor igual à outra e nem por isso uma é mais ou menos importante do que a outra. Todas têm o mesmo valor para o Pai Criador. Todos somos iguais perante Ele. Não existem preferências…

Diante de tão simples e sábias palavras, esse andarilho mais uma vez se pôs a chorar. Gentil e carinhosamente, a linda criança o deitou em seu colo e sua cabeça começou a afagar… As horas se passaram e o jovem nem percebeu… Não havia mais nele a pressa que tanto o deixava afoito, a impaciência que o incomodava, a negligência que o arremetia a estradas inequívocas… Ele estava sereno, tranqüilo, sabedor de seu espaço e do que esse espaço significava. Sabia agora de suas responsabilidades diante da VIDA, da sua e da de outros, pois também compreendia que ninguém no mundo está isolado. Somos todos elos de uma grande corrente e necessitamos uns dos outros para dar força a essa corrente.

– Então é essa a estrada… Tão perto e deixei que ficasse tão longe…
– Mas agora ela está à sua frente. Depende só de você saber quais bifurcações pegar ou desviar. Siga sempre seu coração, mas não deixe que a razão se esvaia… Use sempre com equilíbrio os sentidos que o Pai te deu. O discernimento é seu mestre e o coração seu guia. Um necessita sempre do outro… Não os deixe sozinhos, a deriva…
– Obrigado, pequena criança, por tamanha ajuda. Não sei o que faria sem você.
– Foi você o responsável por tudo isso. Você estava pronto para receber mais essa lição. Agora vá e como bom aluno coloque esses ensinamentos em prática nas provas que se fizerem necessárias. Você só toma “bomba” se quiser. O ensinamento você já tem. Use-o com sabedoria. Vá em paz e que os passos do Mestre te guiem por essas estradas, mesmo se curvas se fizerem presente. Paz em seu coração…
– Que assim seja…

(Andréa Alves Binder é pós-graduada em História, terapeuta holística, atuando com Shiatsu, Drenagem Linfática, Anti-stress, Florais e Calatonia. Contatos: deabinder@gmail.com)