Impressões sobre o III Encontro “Celebrando” – Novembro de 2010

Sobre espelhos, luzes, reflexos…
(Ney Mourão)

Eis que o destino proporcionou-nos a oportunidade de mais um retiro “Celebrando”. E celebrar é, de fato, um verbo que resume esse encontro, em sua essência, para todos que lá estivemos. Celebramos a beleza, o acolhimento, a tolerância, o crescimento. Fomos iluminados, literalmente, pelo Universo que pousou sobre nós as mãos divinas e permitiu que as asas dos anjos nos abraçassem, em encantamento e profunda graça. 

Na sexta-feira, sob a luz da lua, engrandecida por um brilho incomum, coachar de pássaros e pisca-pisca de vagalumes, fez-se necessário apagar as luzes, para vermos com olhos mais atentos todo aquele espetáculo. No chão, apenas uma trilha de velas boiando na água contribuíam para o toque mágico da chegada. Balões coloridos, quartos arrumados… Cada aposento com um nome e um valor a ser cuidado, exercitado, vivenciado. Um abraço de boas-vindas e uma vivência de chegada.

Perguntas várias, individuais, únicas… Cada indivíduo um universo, fonte inesgotável de descobertas. Onde estão as respostas para as dúvidas? Por onde começar? Devagar e sem pressa, sob a imensidão de um bosque, na roda-ciranda de chegada, um caminho a percorrer. Ao final dele, a resposta: duas cadeiras, vazias, um lugar para se estar… À frente de uma delas, coberto, o espelho revelador. Surpresa para alguns, emoção para todos, reflexão coletiva sobre a necessidade de descobrir-se, metáfora do autoconhecimento! Lágrimas suaves, reveladoras dos momentos que viriam… Reconfortantes, como a sopinha gostosa e quente, preparada com o calor do carinho, o tempero da alma e as mãos habilidosas de Dona Aparecida – também orgulhosa e toda alegre com as descobertas de uma dieta suave, sem carnes, com temperos novos e sabores recém-aprendidos. Teia… Zenitude provocando redes… Estendendo braços e mostrando a beleza do conhecimento… 

Sono revigorante. Silêncio absoluto? Não! Barulhinho bom de água, cachoeira bem perto, água, bomba d’água marcando o compasso dos sonhos, pássaros noturnos na orquestra celestial. Acho até que ouvi anjos cantando…

Depois, no sábado, logo cedo, no “Espaço Cuidado” (colchonetes cobertos por bela estamparia, cortinas, almofadas, aromas suaves, calçados do lado de fora), meditação e diretrizes do dia. Tudo sem pressa, no tempo nosso, tempo da alma, tempo do templo do prazer e da harmonia. E assim foi no café da manhã regado a frutas, sucos, pães, bolos… E que cheiro bom de bom pão de queijo mineiro… E que café! E de onde vem esse queijo dos deuses? Ah! Como é bom saborear a vida!!!

Mas é preciso seguir. Aprender e seguir… E nada melhor que seguir, exercitando o conhecimento. Na palestra vivencial, a música, em sua dimensão transcendente. Música e temas como religiosidade, saúde, história, harmonização física e emocional.  Preparo bom para o almoço diferente e inesquecível. Uma regra apenas: “proibido falar”. Apenas cantar! Em tempos de celebração sobre a música, nossa refeição tornou-se um grande musical. Tímidos e espalhafatosos, misturados, numa brincadeira que ficará para sempre na memória. Gargalhadas da salada à sobremesa. Talentos revelados, sorrisos descortinando olhares até ali sombrios. Bom de ouvir… Bom de ver…

Mais tarde, o “momento criança”. Inicialmente, liderado pela única criança presente. Única? Será? Afinal, quem eram os adultos e quem era a criança, ali? Na piscina, mais risadas, fotos, bola, brincadeiras antigas resgatadas. Bem perto, um presente inusitado da natureza. Afinal, “maxixeiro tão novo não dá maxixe”. No “nosso” teve maxixe para mais de dez pratos. Saboroso como o dia. Saboroso como brincadeira de criança. Saboroso, como a noite que estava por vir… 

Noite iniciada pelo aprendizado, pelo acolhimento à diversidade. Na Hora do Ângelus, um verdadeiro show de amizade, de respeito ao outro, de abertura e ética. Fés distintas, crenças diversas, irmanadas pela música. Ausência de fronteiras, de barreiras, muros. Trombetas de amor, anunciando a claridade da noite. 

Ah! A noite! Dessa vez, a lua exagerou! Não precisava disso tudo! Mas ela não se fez de rogada, disputando o céu com as estrelas. E todos nós, ali, morrendo de inveja boa daquele brilho todo, também exageramos no brilho. Perucas coloridas, sombrinhas de poás, pares bailando ao som das melodias. Dia de aniversário. Quanta alegria! Quanta energia! Um ano desse grupo, que tem transformado cada um de nós com a energia do amor.

Capacidade de autotransformação expressa na arrumação dos quartos, que foram visitados um a um, para que víssemos como cada um demonstrou o valor que lhe foi sorteado. Da simplicidade de uma borboleta à profusão de detalhes da saúde integral; das cores da alegria à gentileza do amor; da importância do conhecimento à singeleza da humildade; da energia da celebração aos elos das ações em rede e da solidariedade: todo o nosso jeito de ser estava em cada instalação, em cada transformação dos aposentos, em cada enfeite dos quartos.

Parecia que, além das bênçãos do Criador, expressas na natureza ao redor, todos ali tinham alguma surpresa a mostrar. Um tal de combina-daqui-combina-dali que dava gosto de ver. Segredinhos sussurrados, como nas boas festas de aniversário. E as surpresas e atrações se sucederam. As mensagens dos ausentes “nem tão distantes” na tela da TV… As músicas escolhidas por cada um e as reflexões sobre cada letra edificante e bela. Quem chorar por último é mulher do padre… Pra quê segurar? Lágrimas são o rio da alma. Deixamos fluir!!! 

Sob a noite estrelada, enluarada e embalada pela brisa, o menino-anjo Daniel trouxe a música das esferas angelicais. Hinos de louvor ao violino. Elegância que admiramos e que desejamos possuir. Elegância vinda de dentro, não a mera elegância externa.

Logo após, esse redator que rabisca essas letras tortas perdeu o prumo e a retidão… Uma homenagem de tirar o fôlego. Versos resgatados, descortinando o ser esquecido, vontade de ver-me de novo… Meu espelho. No outro, em minha frente, eu mesmo, ditas por cada um dos grande amigos, em palavras escritas um dia e que ganhavam um significado novo, forte, como luz, canção, reflexo da emanação divina materializada em amizade e carinho… Mas vamos em frente, que até de lembrar a visão embaça e as palavras ficam trôpegas de boa emoção…

No final da noite, um presente. Última surpresa, a Canção para a Pena, melodia que fala de nosso jeito de ser, marco de outro encontro, outros momentos de emoção e revelação. Composta com simplicidade, mas com o coração, a música trouxe ainda mais harmonia aos nossos corações e almas, celebrando a vida e o encontro.

Madrugada reconfortante. Chuvinha boa, refrescante. De manhã, a deliciosa sessão de Biodança. Mais emoção, mais abraços, mais reflexões sobre a espiritualidade. Na roda viva de corações, almas repletas de vida, em congraçamento. Que delícia de manhã de domingo!

E já que era domingo, pra não perder o hábito, fomos caminhar pela natureza, abraçar árvores. Sentir o perfume das flores pelo caminho… Sintonia de orações ao lado da cachoeira. Chuva forte, para lavar a alma – e nós protegidos, em cantinho acolhedor. À tarde, a mágica e forte meditação de cura, com a música e o presente da dupla Blue Angelis

Muitas palavras, para descrever tanto sentimento. Tantas palavras que tornam-se poucas, para definir tantos sentimentos da alma, tantas luzes. Como reflexo em um lago cristalino, apenas a imagem superficial de nosso profundo mergulho em nós mesmos. Com certeza, inesquecível… Como uma canção que fica impregnada, como luz que se acende na escuridão.

Que venha logo o IV Encontro Celebrando. Em maio, em 2011, celebraremos a energia dos anjos. Que eles nos inspirem, para dias tão luminosos e lindos. E que você, que agora nos lê e não pode estar pessoalmente, que possa juntar-se, como elo fortalecedor, com sua luz, para fazer um encontro ainda melhor. Afinal, a única coisa que faltou foi… você!

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2 Comentários


  1. Puxa!
    Ney!

    Que reconfortante depois de tantos momentos de tensão neste Rio de Janeiro, embora more distante, estou em Niterói e tudo acontecia logo ali do outro lado da ponte!

    Mas Deus em sua infinita Bondade agiu sobre os homens mantendo-os serenos, evitando assim uma tragédia.

    São esses fluídos de pessoas como você e de todos do Zenitude que a Paz chegou1

    Parabéns por tudo isso!

    Muito bom!

    Que esta paz esteja com todos nós!

    Kátia – Rede Fraterna

    Responder

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