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SAÚDE INTEGRAL: No lugar da farinha branca… farinha de frutas!

Já ressaltamos, aqui e em vários momentos presenciais da Rede Zenitude, os malefícios que a farinha branca pode causar ao organismo. Ao lado do sal e do açúcar branco, ela é considerada, atualmente, como um dos três “pós brancos”, verdadeiros venenos que, em longo prazo e cumulativamente, maltratam a nossa saúde integral.

Mas, como substituir a farinha branca por outras opções saudáveis e que, ao mesmo tempo, sejam saborosas, em nosso cotidiano? A Revista Vida Natural e Equilíbrio trouxe, em sua edição de número 46, uma interessante matéria, que reproduzimos parte dela aqui. Veja as alternativas, experimente. Sua saúde, com certeza, agradece.

A proposta dos alimentos em pó veio para ficar. No começo, os cereais e os grãos dominavam o pedaço com alto teor de fibras e outros princípios ativos ligados ao emagrecimento saudável. Pois bem, agora é a vez das farinhas de frutas conquistarem adeptos. Elas também têm fibras, mas a novidade é que carregam nutrientes importantes e enriquecem as refeições. Com vocês, as farinhas de açaí, maçã, banana-verde, uva, laranja-amarga e maracujá.


Farinha de açaí

Fibras, proteínas, gorduras do bem, potássio, vitaminas B1, B2 e E, além de um mix poderoso de compostos antioxidantes e anti-inflamatórios fazem parte do pacote de nutrientes da farinha de açaí (Euterpe oleracea). “Ela age prevenindo lesões que os radicais livres podem causar, isto faz que as nossas células e, em consequência, nossos órgãos funcionem adequadamente, prevenindo uma série de doenças”, afirma a nutricionista funcional Barbara Rescalli Sanches, da Clínica Damasceno, em São Paulo.

Mas será que a versão em pó preserva todos os nutrientes da fruta? Segundo estudo publicado pela Revista Brasileira de Farmacognosia, não há diferença significativa entre as gorduras benéficas encontradas na fruta daquelas encontradas no caroço, que serve de matéria-prima para o preparo da farinha. “Sendo assim, podemos afirmar que os benefícios das gorduras insaturadas, que estão associados à boa aparência da pele e ao desenvolvimento mental, e os benefícios antioxidantes da vitamina E são mantidos”, atesta Barbara Sanches.

A farinha de açaí pode ser também uma aliada importante na hora da malhação. “Ela é indicada para atletas, devido à sua ação revigorante”, esclarece a nutricionista clínica especializada em nutrição funcional Mariana Oliveira de Assis Exel, do Hospital Samaritano, de São Paulo.

A farinha de açaí é rica em potássio e tem alto teor de proteínas, por isso, pessoas com problemas renais não devem consumi-la.


Farinha de banana-verde

Comer a fruta antes do amadurecimento não parece ser boa ideia. E em sua forma in natura, realmente não é. A saída é apostar no consumo da farinha de banana-verde (Musa spp.). O xis da questão é um nutriente que só é encontrado antes que a fruta esteja madura: o amido resistente, um tipo de carboidrato que não é digerido pelo nosso organismo e possui ação parecida com a das fibras.

Um estudo realizado com diabéticos na Nova Zelândia comprovou os benefícios da substância no controle da glicemia. A nutricionista do Hospital Samaritano explica que o alimento é bom para diabéticos, porque o amido retarda a absorção de glicose e evita picos de glicemia.

A farinha também apresenta benefícios contra o câncer intestinal. “Ao chegar ao intestino grosso, o amido resistente é digerido pelas bactérias, produzindo substâncias benéficas tanto para o órgão quanto para o organismo em geral”, atesta a nutricionista.

E os benefícios dessa fermentação vão além. “Por servirem de alimento às bactérias benéficas do nosso intestino, a substância também é responsável pela melhora do sistema imune, já que a maioria das nossas células de defesa é fabricada no órgão”, explica Barbara Sanches.

Farinha de uva

Sabe os tão aclamados benefícios do vinho tinto e do suco de uva? Então, eles também estão presentes na farinha de uva (Vitis vinifera L.). Além das fibras, o alimento é boa fonte de diversas substâncias antioxidantes que varrem os nocivos radicais livres para fora do organismo. “Ela combate o envelhecimento celular, previne doenças degenerativas e ajuda a manter as paredes arteriais flexíveis, melhorando a circulação e diminuindo o risco de doenças cardiovasculares”, explica Roseli Rossi.

O alimento é um excelente aliado para combater e prevenir os diversos problemas ligados à má circulação. “Ela melhora a circulação cerebral, diminui o aparecimento de varizes, auxilia na prevenção da flacidez do tecido cutâneo e melhora quadros de artrite”, comenta a nutricionista.

Abra os olhos e aceite umas colheradas, pois a farinha também ajuda na saúde da visão. “Há evidências de que os compostos presentes na farinha aliviam o cansaço dos olhos, diminuindo a degeneração macular e melhorando a circulação nos pequenos vasos oculares, evitando danos à visão. Porém, mais estudos devem ser realizados”, conta a nutricionista do Hospital Albert Einstein.

Farinha de maçã

Você já deve ter ouvido falar em pectina, certo? Saiba que tanto a farinha de maçã (Malus sp) quanto a fruta in natura são ricas na substância. O nutriente é um tipo de fibra solúvel que não é absorvido pelo organismo e se liga facilmente à água, transformando-se em uma espécie de gel, que reduz a absorção de gorduras e açúcares e protege a microbiota intestinal. “Ela é eficaz na regulação dos níveis de glicose, colesterol e triglicerídeos, além de prevenir doenças degenerativas e crônicas, como câncer de cólon e reto, aterosclerose e diabete”, explica a nutricionista Michelle Leite Oliveira, do Serviço de Nutrição Clínica do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.

Segundo a especialista, a pectina também contribui para a perda de peso, já que ocupa espaço no estômago, proporcionando sensação de saciedade e fazendo que a pessoa coma menores quantidades na hora da refeição. Além disso, a absorção da glicose de forma lenta minimiza os picos de insulina, evitando a transformação do açúcar em gordura.

A maçã em pó também exerce um efeito benéfico em pessoas que sofrem com dores articulares. De acordo com a nutricionista Roseli Rossi, da Clínica Equilíbrio Nutricional, o alimento é fonte de ácido málico, que age diretamente no sangue e nos tecidos, eliminando o “lixo” originado pelo metabolismo, responsável pela inflamação nas articulações. Outro ponto a favor é a presença de quercetina, que possui ação anti-inflamatória.

A pectina, encontrada na farinha de maçã e na de maracujá, contribui para a perda de peso.

No dia a dia

Sabendo escolher o tipo certo para a sua necessidade e sem fazer loucuras, como substituir refeições por um suco com uma colherada de algum alimento em pó, as farinhas podem (e devem) fazer parte do seu cardápio. Elas podem ser utilizadas em vitaminas, iogurtes, salada de frutas, musses e preparações como pães, bolos, tortas e biscoitos.

De forma geral, de 1 a 2 colheres das de sopa por dia são suficientes para complementar a alimentação e obter os benefícios. O ideal é intercalar o uso dos tipos de farinhas, para que não haja uma monotonia alimentar.

Mas atenção para o alerta de todas as profissionais que participaram desta matéria: quem aumenta a ingestão diária de fibras deve aumentar também o consumo de líquidos, caso contrário, o tiro sairá pela culatra e em vez de benefícios, você irá prejudicar a sua saúde.


Faça em casa

As farinhas de frutas podem ser feitas em casa. O modo de fazer é praticamente o mesmo, independentemente da fruta que você for utilizar. Siga o passo a passo!

Partes utilizadas

Açaí: caroço da fruta, sem a polpa
Maçã: a polpa, sem a casca
Banana-verde: polpa
Uva: a fruta inteira
Laranja-amarga: casca e bagaço

Lave bem as partes que forem aproveitadas com vinagre ou hipoclorito de sódio e depois enxágue para tirar os resíduos dos produtos. Corte em pedaços pequenos. Leve ao fogo baixo ou médio até que fiquem bem secos e sem umidade. Bata no liquidificador ou triturador até que vire um pó bem fino. Armazene em pote hermeticamente fechado e ao abrigo da luz e da umidade.

Fonte: Rosana Farah, docente adjunta do Curso de Nutrição da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo.

Farinha de laranja-amarga

O suco de laranja faz um enorme sucesso nos bares, restaurantes e lanchonetes. Além de saboroso, ele também é muito nutritivo. Mas será que desta forma você está aproveitando todos os benefícios da laranja? Infelizmente, não. Quando chupamos uma laranja ou tomamos o seu suco, desprezamos a casca e o bagaço, que contêm óleos essenciais e fibras, principalmente as do tipo solúvel. Coisa que não acontece quando consumimos a farinha, já que ela é feita com essas partes da fruta.

A farinha de laranja-amarga (Citrus aurantium) ficou famosa por ajudar a enxugar alguns quilinhos. O alimento possui um composto bioquímico chamado sinefrina, que aumenta o metabolismo e promove a quebra de gordura. “O composto é estimulante e acelera as reações do organismo, auxiliando no emagrecimento”, explica a nutróloga e médica ortomolecular Liliane Oppermann, de São Paulo.

Assim como a farinha de maçã, o alimento também possui a pectina, que aliada a uma alimentação equilibrada também contribui para o emagrecimento. Sendo assim, a docente adjunta do curso de nutrição da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rosana Farah, explica que a farinha melhora o funcionamento intestinal e diminui as taxas de colesterol e o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, pois “sequestra” o mau colesterol (LDL) das artérias e o elimina pelas fezes.

Farinha de maracujá

Facilmente encontrada em casas de produtos naturais, a farinha é proveniente da casca da fruta, onde estão depositadas boas quantidades de pectina (olha aqui de novo). Essa substância dificulta a absorção de gorduras, carboidratos e açúcar, diminuindo os riscos de diabete.

E os benefícios não param por aí. O nutriente também carrega, durante a digestão, parte do colesterol vindo de outros alimentos, facilitando a eliminação nas fezes. A melhor forma de consumo é misturar o alimento em sucos, vitaminas, iogurtes, frutas amassadas ou picadas. Dica: a farinha também pode ser ingerida sozinha, antes do almoço e do jantar, assim já estará pronta para captar as gorduras do que será consumido a seguir. E vale lembrar: a Food and Agriculture Organization (FAO), órgão das Nações Unidas, recomenda a ingestão moderada, ou seja, apenas 30 gramas diariamente. Em excesso, pode causar diarreia e até perda de nutrientes.

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