Páscoa – Estenda as mãos

O nome Páscoa surgiu a partir da palavra hebraica “pessach” (“passagem”). Para os hebreus, significava o fim da escravidão e o início da libertação do povo judeu (marcado pela travessia do Mar Vermelho, que se tinha aberto para “abrir passagem” aos filhos de Israel que Moisés ia conduzir para a Terra Prometida). Ainda hoje, a família judaica reúne-se para o “Seder”, um jantar especial que é feito em família e dura oito dias. Além do jantar, há leituras nas sinagogas.
Em tempos antigos, no hemisfério norte, a celebração da páscoa era marcada com o fim do inverno e o início da primavera. Tempo em que animais e plantas aparecem novamente. Os pastores e camponeses presenteavam-se uns aos outros com ovos, que naquela estação eram fartos. Um desejo de que a fartura se mantivesse e se espalhasse.

Jesus, ao convidar os apóstolos para a última ceia, celebrando a Páscoa, mais que tudo, manifestou um sentimento de tolerância e respeito a uma tradição. Durante o rito da Santa Ceia, valorizou, como já havia feito em diversas ocasiões, a importância da celebração e do fortalecimento de elos. Doou, então, aos presentes, a mais valiosa dádiva que possuíam por perto naquele momento: vinho e pão, fazendo, no gesto, que ocorresse o milagre da transubstanciação (ou da consubstanciação, conforme a crença) em seu próprio sangue e corpo, sempre que a intenção celebrativa e impregnada de amor universal acontecesse , dali pra frente. Remetendo-nos ao significado dos dois elementos, podemos entender a profundidade do gesto.


O pão, mais compreensível, a manifestação material, corporal, alimento e nutrição para o físico. Indo além da materialidade e também a incluindo, naquele momento, o Mestre Iluminado invoca o sentido verdadeiro da palavra COMPANHEIRO – que é “aquele com quem compartilha o pão”. Compartilhar não apenas o bom e o suave, mas também a dor, as angústias, as aflições. E colocar-se no centro, quando em condições, para trazer os demais à mesma posição de conforto e saciedade na mesa.


O vinho, na ocasião, símbolo herdado da cultura helênica, conectava os homens à alma livre, alegre, porém desprovida de limites. Ao consubstanciá-la ou transubstancia-la em sangue, Jesus, conectado e parte integrante da Fonte Divina, nos informa que a verdadeira conexão JÁ está em nós, em nossa essência primordial, em nossa “seiva” interna, impregnada da essência divina. Não é necessária a âncora externa para a verdadeira alegria, fruto do celebrar por estarmos sendo parte da Fonte. Render-se a acreditar no contrário é perder a vigilância.


Para os cristãos, a partir da passagem de Jesus pela Terra, a Páscoa é a passagem de Jesus Cristo da morte para a vida: a Ressurreição. A passagem de Deus entre nós e a nossa passagem para Deus. É considerada a festa das festas, a solenidade das solenidades, e não se celebra dignamente senão na alegria.

Para a imensa e hoje incontável família Zenitude, representada pelos relativamente poucos membros humanos visíveis, gostaríamos que fosse um convite ao resgate da alegria que anda perdida. Qualquer transição ou passagem torna-se mais amena com a alegria. Não há sentido qualquer progresso material que não traga alegria de viver. É falso qualquer desenvolvimento terreno, se não se  percebe que, junto com ele, estão sendo deixados para trás a alegria, a serenidade, a celebração, o convívio. Tudo o que aqui está, expresso em materialidade, aqui será deixado, quando partirem para a Fonte ou, se preferirem assim chamar, para os braços do Pai Maior. No entanto, usufruam com responsabilidade e administrem seus recursos com bom senso, enquanto ainda necessitam da materialidade como instrumento de evolução. Adquiram o hábito de serem dadivosos, material e espiritualmente falando. Essa postura, para ser mais efetiva e eficaz, deve ser feita do núcleo para as bordas. Ou seja, amorosidade, dádiva, celebração e partilha primeiro com quem está na distância que o seu braço pode alcançar. Ondas de ternura tendem a se irradiar e aquele que recebeu em dado momento tenderá a fazer o mesmo. Gestos prepotentes de auxiliar ao distante, sem antes abrir o coração, os olhos e a alma para quem está no aposento ao lado podem gerar frustração e fadiga.

Aproveitem o rito de passagem cristão para preparar-se para a grande transição humana, planetária, universal e dimensional que se avizinham. Desapeguem-se de paradigmas rígidos, mas jamais abandonem a certeza da necessidade de união. Estejam conectados, em rede. Terem a mestria não significa abandonar a unidade. Unidos, serão mais fortes. Porém, certifiquem-se de dar as mãos primeiro aos mais próximos, pois são elas que seus braços alcançam em instância primária.

Celebrem! Pensem em grandes conquistas, mas celebrem a mesa simples, onde podem estar ingredientes que se transformarão em algo grandioso. Celebrem a dádiva da luz que irradia e processa os alimentos, o ar que nutre os pulmões, as leis físicas que permitem o amanhecer e o anoitecer e a passagem equilibrada de cada dia – nada disso encontrarão em nenhum depósito monetário. Avistem horizontes amplos, mas não deixem de perceber o olhar silencioso e talvez fugidio do pai, da irmã, da filha, do companheiro, da cuidadora do lar, do habitante do mesmo leito ou do aposento ao lado, que clamam pelo pão da partilha e pelo vinho seiva da alma. Todos estão migrando, juntos, como vocês, em direção à Fonte, imersos nos mesmos anseios e incertezas.

Celebrem, com alegria, sempre, sem âncoras artificiais, trazendo de seus interiores o que possuem de melhor – seiva e espírito, uma só coisa! Pois o que é é o melhor a ser, mesmo que pareça sombrio, sem cor, sem luz! Quando finalmente a grande e maior passagem acontecer, todos serão UM, irmanados na fonte divina de amor!

(Mensagem lida em 30/04/2011, durante sintonia vibracional na residência de Mônica Gomes, em Belo Horizonte/MG)

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Autor: Ney Mourão

Ney Mourão é jornalista e educador. Especialista em Educação a Distância. Poeta; autor do livro "Notas Dispersas pelas Paredes" (Editora Autêntica). Interessado em PESSOAS, tem formação em Terapias Holísticas (Reiki, Shiatsu, Reflexologia Podal, Florais de Bach, Aromaterapia). Em seus atendimentos, prefere dizer que acalenta almas para que estejam bem em seus corpos.

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