Plantas medicinais têm eficácia reconhecida em manual da Anvisa

Isso mesmo! O que a turma de terapeutas e integrantes da Rede Zenitude estão sabendo há tempos agora tem o reconhecimento da Associação Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Mil-Folhas para cólicas, alho para abaixar o colesterol ruim, arnica como antiinflamatório, canela para a falta de apetite, mulungu como calmante, folhas de pitangueira para diarréia e da goiabeira, também para diarréia e antisséptico bucal. Dicas de nossas avós, que agora estão, com receita de preparo e tudo, no órgão oficial de vigilância em saúde no Brasil.

É o reconhecimento de que muito do que consumimos, em termos de medicamentos industrializados, poderia ser substituído por soluções terapêuticas naturais, menos agressivas para o corpo e responsáveis por um malhor equilíbrio orgânico. Sabemos, inclusive, que há um grande interesse nos grandes laboratórios nacionais em nossa biodiversidade vegetal e até mesmo a tentativa de patentear a extração e a manipulação de alguns desses espécimes.

Portanto, vamos lá. Redescobrindo a medicina natural. Usando com o devido cuidado, pois há, sim, efeitos colaterais e contra-indicações em alguns produtos.

Para ter acesso ao Manual completo da Anvisa, com 25 páginas, com as indicações de uso, propriedades terapêuticas e outras características das plantas medicinais, basta clicar aqui.  

Estudo britânico confirma propriedade analgésica de hortelã brasileira

(Fonte: BBC – Brasil)

hortelabravaUma xícara de chá de um tipo de hortelã tem propriedades analgésicas equivalentes às de alguns remédios vendidos comercialmente, concluiu um estudo feito na Grã-Bretanha por uma pesquisadora brasileira.

Há séculos, a erva Hyptis crenata, conhecida como hortelã-brava e salva-de-marajó, vem sendo utilizada na medicina popular no Brasil para tratar desde dores de cabeça e estômago até febre e gripe.

Liderada pela brasileira Graciela Rocha, a equipe da Universidade de Newcastle, no nordeste da Inglaterra, fez estudos com ratos e provou que a prática popular tem base científica. O estudo foi publicado na revista científica Acta Horticulturae.

Graciela Rocha está apresentando seu trabalho no International Symposium on Medicinal and Nutraceutical Plants em Nova Déli, na Índia.


Tradição
De forma a reproduzir os efeitos do tratamento da maneira mais precisa possível, a equipe fez uma pesquisa no Brasil para descobrir como a erva é preparada tradicionalmente e que quantidades devem ser ingeridas.

O método mais comum de uso é ferver a folha seca em água durante 30 minutos e deixar que o líquido esfrie entes de bebê-lo. Os pesquisadores descobriram que quando a erva é ingerida em doses similares às indicadas na medicina popular, ela é tão efetiva em aliviar a dor como uma droga sintética, do tipo aspirina, chamada indometacina. A equipe pretende agora iniciar testes clínicos para descobrir quão efetiva a erva é no alívio da dor em humanos.

“Desde que os homens começaram a andar na Terra, temos procurado plantas para curar nossas aflições”, disse Graciela Rocha. “Na verdade, calcula-se que mais de 50 mil plantas sejam usadas no mundo com fins medicinais. Além disso, mais de a metade de todos os remédios vendidos com receita são baseados em uma molécula que ocorre naturalmente em alguma planta”.

“O que fizemos foi pegar uma planta que é amplamente usada para tratar a dor com segurança e provar cientificamente que ela funciona tão bem como algumas drogas sintéticas”, disse Rocha. “O próximo passo é descobrir como e por que a planta funciona”.

Sabor da Infância
Graciela disse que se lembra de ter tomado o chá como cura para todas as doenças da sua infância. Ela disse: “O sabor não é o que a maioria das pessoas na Grã-Bretanha reconheceriam como hortelã”.

“Na verdade, ela tem um gosto mais parecido com o da sálvia, que é uma outra erva da família das mentas”. “Não é muito gostoso, mas remédios não tem de ser gostosos, não é?”

A presidente da Chronic Pain Policy Coalition, entidade britânica que trabalha para combater a dor crônica, disse que a pesquisa é interessante. “São necessários mais estudos para identificar a molécula envolvida, mas este é um estudo interessante sobre um possível novo analgésico para o futuro”, disse Beverly Collett.

“Os efeitos de substâncias semelhantes à aspirina são conhecidos desde que os gregos, na Antiguidade, relataram o uso da casca do salgueiro para cortar a febre”.