Um Natal novo no coração

(Por Márcia Leão)

Não sei porque o espírito natalino tomou conta de mim este ano.

Fiz enfeites mil para as casas de idosos e para a minha casa que, este ano, receberá a família pela primeira vez (e que sejam muitas). Mas, para além disso , meu coração foi tocado por um sentimento de amor inexplicável e, mesmo em meio a problemas cotidianos, sinto uma grande necessidade de fazer o outro sentir-se querido, prestigiado.

Escuto sempre pessoas dizendo que não gostam do Natal pois é só comércio, porque não tem mais o mesmo sentido… Será? O sentido de tudo somos nós quem damos. Prefiro ver esta data como um momento em que festejamos o nascimento da personificação do amor.

A partir do nascimento de Cristo, podemos acreditar na possibilidade de nós, humanos, nos amarmos de verdade, e o Natal toca a todos com este sentimento. As desigualdades existem o ano todo. A violência também. Não é só no Natal que algumas pessoas passam fome e outras ficam abandonadas nos hospitais ou nas prisões… Lembrar disto nesta data e dizer que não gosta do Natal não muda nada. Então, vamos celebrar a presença de Jesus em nosso próximo e acolhê-lo com um afetuoso abraço. Vamos perdoar, ser perdoados, rir, chorar, confraternizar…

Aprendi isto com vocês, da Rede de Amigos Zenitude. Celebração, cuidado, alegria, amor, solidariedade, humildade, simplicidade… Só nossas atitudes sinceras podem mudar o mundo. Nós decidimos se queremos ser felizes ou preferimos ficar resmungando pelo que não podemos ou não temos. Nossas possibilidades são inúmeras.

Meu convite é para que, neste Natal, possamos aproveitar a  oportunidade de demonstrar nosso amor deixando em nosso rosto um grande sorriso e felicitando a todos que passarem por nós com um verdadeiro FELIZ NATAL!

Experimente! Com certeza o seu Natal e o de seu próximo será muito mais feliz!

A todos vocês e a todos que nos acolhem, através desse blog, que a alegria transborde de seus corações hoje e sempre.

Beijo grande!

 

Natal!!!

Hoje o Natal chegou aqui…

 

E chegou assim, sem nenhum aviso, carta, telegrama ou mensagem pelas ondas informatizadas. Veio carregado por uma brisa suave, uma espécie de sopro de luz, que foi transformando minha rua, esbarrou sorrateiro na soleira do portão, desalinhou a grama do quintal, fez eriçar o orelha do cachorro, estalou o tapetinho da porta, espalhou um sei-lá-o-quê pela sala e, como uma criança travessa, jogou-se de corpo inteiro em minha cama, desarrumando tudo com um sabor de enfim cheguei. 

O Natal chegou hoje aqui e tudo ficou confuso e belo como desejo de cantar sem explicações. Trouxe consigo uma vontade de sair pelas ruas brincando com os passarinhos e fazendo sorrir os porteiros dos prédios dos apartamentos. Trouxe do firmamento um pedaço de azul que tingiu meu dia com uma mansidão de fazer dormirem os bandidos, sonhando com violetas e borboletas sobre os fuzis. Trouxe dos horizontes um pacote de estrelas e, com elas, fez desenhos em minha testa, convidando-me a sair pelas ruas, vestido de poesia, dizendo sonetos de amor para quem tivesse ouvidos. 

Veio com o Natal, de lugares desconhecidos, uma alegria com gosto de caramelos. Em seu rastro, pude ver passarinhos ensaiando valsas e um cordel encantado de pessoas espalhando cortesia, solidariedade, amor, paz, respeito, tolerância, carinho, afeição e bondade. À frente delas, num caminhar suave, um menino-Deus, com olhos acolhedores, espalhando boas-novas e falando de um mundo novo, que acaba de chegar. 

O Natal chegou, trazendo um sentimento de possibilidades e esperança que há muito eu não sentia. Quando abriu a bagagem, pertinho de meu coração sobressaltado e radiante, não vi lá presentes luxuosos, não vi as constelações exuberantes das vitrines, mas percebi uma fagulha ínfima, quase imperceptível. Desses detalhes pequeninos como um olhar furtivo entre amantes, que é necessário capturar naquele instante fugaz, guardar nas estantes da alma, pra nunca mais fugir da memória. Estava lá, no cantinho da mala, entre coisas de ir e vir, entre registros de chegada e partida. Recolhi com calma o pequeno embrulho. Por fora, em letras simples, sem rebuscamentos, estava escrito: “Espírito Natalino”. Abri, e o que era pequeno transformou-se em infinito. 

O Natal chegou e espalhou o espírito natalino em meu peito, em minha casa, em meu quintal, em minha rua, em minha cidade. Espalhou o amor do Menino-Deus pelos céus e pelos ares. Ele, então, com um sorriso de Natal que só o Natal sabe dar, assoprou do fundo de sua alma uma brisa de luz, que fez com que tudo de bom que havia chegado até ali também se espalhasse pelo mundo. 

Abra sua porta agora. Corra! Abra a janela! Depressa! Vá até o jardim! Estenda as mãos para os céus e receba! Não importa que data seja hoje. Talvez seja mesmo dezembro. Quem sabe janeiro, abril ou maio. O que importa é que você se abra e receba aí, levado pela brisa, o espírito transformador desse Natal transformador. Acredite. Feche os olhos e veja com a alma! Eu vi e compartilho com você! O Natal chegou aqui e, do meu coração para o seu, envio pela brisa! E, se em um dia qualquer de qualquer ano, você sentir tudo isso chegando aí, não se assuste. Devem ser, ainda, pequenos vestígios de Natal, soprados pelo vento mágico do amor do Deus Menino, chegando até você. Receba, em qualquer momento, e compartilhe. 

Um Feliz Natal! 

Ney Mourão – 2010