A melhor de todas as religiões

(*) Ney Mourão

A melhor de todas as religiões?
Aquela que abraça a todos, como potenciais irmãos, amigos, membros da mesma família humana e planetária, independente de qualquer expressão de religião, religiosidade, ou mesmo perante a ausência delas.
Aquela onde, mais importante que o rito, seja o encontro entre almas a maior de todas as celebrações.
Aquela em que não haja a palavra escrita da leitura dogmática e inflexível, mas que exercite em seus membros o gesto de ouvir o outro, desprovendo-se de atribuições de verdades absolutas e percebendo cada criatura como um universo único, belo e repleto de mistérios e descobertas constantes.

A melhor de todas as religiões?
Aquela que promova a felicidade, acima de todas as buscas. E que consiga que a felicidade de uns jamais comprometa o equilíbrio, a alegria, o bem-estar e a paz dos demais.
A melhor de todas as religiões, mais que ensinar, deve exercitar a prática do compartilhamento, da descoberta, mesmo que isso signifique sacrificar crenças anteriormente arraigadas, sabendo-se que a natureza e o Universo são, por si só, energias em constante evolução – e isso pressupõe a abertura a ideias novas, talvez ainda nem conhecidas.
A melhor de todas as religiões é reveladora e libertária. E quem a praticar deve saber que ser livre é saber exatamente que, por sermos todos absolutamente iguais, basta que aquilo que sentimos como não-necessário e ruim para nós é, por si só, não-necessário e ruim para todos, sejam amigos ou inimigos, iguais ou diferentes, presentes ou ausentes, desde que habitem o mesmo Universo que nós.

A melhor de todas as religiões?
A que não confunde hierarquia com opressão e domínio. Que promova o exercício do diálogo, da confiança e do respeito. Que incentive a gratidão permanente, e que gratidão seja uma prática tão constante que se torne quase sinônimo de fé.

A melhor religião difunde esperança. E percebe em cada pessoa uma potencial fonte de renovação do mundo. Quem segue a melhor de todas as religiões nem mesmo perdoa, já que jamais se magoa, ofende-se ou deixa-se levar pela injúria.
A melhor de todas as religiões é humilde. E, como tal, não julga às demais. Não oferece suas portas como templos da salvação exclusiva. Pelo contrário, é a arena acolhedora e cuidadora dos que buscam. Ela, por si, deve encarar-se também como eterna buscadora, percebendo-se como não-pronta, já que a verdade pode estar além de suas portas.

Quem professa a melhor de todas as religiões conecta-se com o bem não apenas em um templo, mas em todo e qualquer lugar, já que é no exercício diário da vivência e da convivência que se conhece o verdadeiro caráter e os anseios efetivos de cada ser em busca do desenvolvimento, da paz, da ética, do respeito ao semelhante. Assim, cada rua, cada trilha, cada lar, cada ambiente de trabalho, cada aposento, cada canto, cada automóvel, cada espaço ocupado por uma alma ou por uma energia pulsante, seja animal, vegetal ou mineral, é o templo onde deve ser exercida esta, a melhor de todas as religiões.

A melhor de todas as religiões confunde-se com abraços humanitários e solidários e olhares repletos de carinho universal. Confunde-se com compreensão, caridade e tolerância.
A melhor de todas as religiões não precisa ter um nome, uma marca ou um signo identificador. Ela transcende fronteiras de países, línguas e raças.

Amor! Eis a melhor de todas as religiões.
Que sejamos capazes. Que assim seja!