Touradas estarão proibidas na Catalunha, a partir de 2012

A cultura espanhola é uma das mais ricas do planeta. Pintura, música, arquitetura, artes plásticas, literatura. Mas Espanha e Portugal ainda preservam, até hoje, a tradição das touradas. Considerada por alguns como “esporte”, é o reflexo da visão humana de que somos uma raça superior sobre todas as demais e que, sob esse prisma teríamos direito a qualquer ato de domínio, tortura ou exploração sobre as demais. No Brasil, semelhante postura é traduzida pelos rodeios, marca registrada de uma verdadeira ignorância, patrocinada por empresas, artistas e pessoas que não percebem que toda vida merece respeito e que fazemos parte de uma universal família.  Francisco, o grande homem de Assis, disse certa vez que aquele que não se solidariza com o sofrimento dos animais jamais terá sincera compaixão humana, já que a dor é, sim, universal e idêntica!

Com grande prazer, a Rede Zenitude, em sintonia com os seus valores e missão, celebra a notícia da proibição das touradas na Catalunha. É a segunda região espanhola a proibir o ato, depois das Ilhas Canárias. Agora, na região, apenas a Praça Monumental de Barcelona continua a organizar e apoiar a bestialidade. Sabe-se, hoje, que o pretenso “esporte” vem perdendo o apoio, principalmente das gerações mais jovens, que percebem a violência no gesto e que preferem aliar a cultura espanhola a outros símbolos. Vamos continuar na torcida para que vinguem esses novos ideais. Torcer também para, quem sabe um dia, também os rodeios brasileiros sejam definitivamente erradicados. Que o amor, incondicional, a todas as espécies de vida, sempre saia vencedor!

 


Parlamento decide pela proibição das touradas na Catalunha
(Fonte: France Presse)

touradasnaoO Parlamento catalão aprovou, com 68 votos a favor, 55 contra e 9 abstenções, o decreto de proteção dos animais, que implica a proibição das touradas nesta próspera região do nordeste da Espanha, a partir de 2012. 

O Parlamento regional catalão decidiu, dessa maneira, aprovar uma Iniciativa Legislativa Popular (ILP) apresentada em dezembro passado pelos opositores das touradas, que consideram essa prática uma barbárie, convertendo-se na segunda região espanhola a proibir sua realização depois das Ilhas Canárias, em 1991. 

Depois que os deputados conservadores do Partido Popular (PP, oposição) e do grupo Ciutadans anunciaram seu voto contra a proibição das touradas, a principal incógnita se centrava no que fariam os legisladores do Partido Socialista da Catalunha (PSC) e os nacionalistas da Convergencia i Unió, aos quais os partidos deram liberdade de voto. 

Por fim, a maioria optou por proibir as touradas na Catalunha, o que representa um duro golpe para a tauromaquia, que também está afetada pela crise econômica da Espanha. 

Simpatizantes e opositores se mobilizaram e a disputa foi acirrada. 

Esta virou uma “questão política” na região onde “a ideia é extinguir tudo o que for espanhol”, clamava nesta terça-feira o editor do diário madrileno “El Mundo”. Esse foi um tema recorrente na imprensa conservadora, que via na possível proibição uma vontade de revanche dos políticos catalães, depois de uma recente decisão do Tribunal Constitucional que retirou certos aspectos do estatuto de autonomia da região. 

A liberdade de voto foi dada especialmente aos 37 parlamentares socialistas pelo presidente regional socialista José Montilla, já que um voto socialista contra a proibição, inicialmente, poderia sem dúvida garantir uma rejeição da ILP. 

Mas os opositores à “corrida”, cada vez mais numerosos na Catalunha e apoiados por poderosas organizações internacionais de defesa dos animais, relembram que esta tradição está perdendo força na região.

A votação aconteceu num contexto complicado para o setor “taurino” na Espanha, que gera cerca de 40 mil empregos e bilhões de euros por ano, e que vem sentindo efeitos negativos desde 2009, por causa da crise econômica. 

Inúmeras regiões espanholas, inclusive Madri, anunciaram, assim que se iniciou o debate catalão, suas intenções de inscrever a tourada como “patrimônio cultural”, com o objetivo de proteger a tradição. Ainda assim, os contra ganham espaço.

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Autor: Ney Mourão

Ney Mourão é jornalista e educador. Especialista em Educação a Distância. Poeta; autor do livro "Notas Dispersas pelas Paredes" (Editora Autêntica). Interessado em PESSOAS, tem formação em Terapias Holísticas (Reiki, Shiatsu, Reflexologia Podal, Florais de Bach, Aromaterapia). Em seus atendimentos, prefere dizer que acalenta almas para que estejam bem em seus corpos.

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